sábado, 23 de setembro de 2017

a lua do céu
folhas amarelas
se amontoam
pelas ruas e
calçadas outonais
lembrando que
ali fora um bosque
o mundo é transformação
o segredo de são cosme
quem sabe é são damião

terça-feira, 19 de setembro de 2017

amador

nesse meio imagem/som
muitos primam pela tecnologia e técnicas
continuo insistindo na magia e sensação
não tenho manual nem tutorial
é só intuição mesmo
que me indica as possibilidades
e fica apitando alto em minha mente
quando algo está se perdendo no caminho
se quiserem
posso concluir a "meta"
apenas pra justificar o tempo
e adequar-me aos prazos
enquanto isso minha alma estará no quintal
pois o que registro é o que se esvai do pensamento:
a pisada das formigas
o som das asas das abelhas
nem sou músico, apenas traduzo paisagens

domingo, 3 de setembro de 2017

contexto

próximo do nada
pleno de vazio
pedaço de linha
muito curto pra costurar
o tempo que se vai
e não volta
da memória rasgada
que revê a si mesma
desconhecendo-se
impressionada
como a genialidade
é estupidez fora do contexto

*

o fim de semana
tempo congelado
paradoxalmente
presente e passado

sábado, 2 de setembro de 2017

o mundo
tão grande
imenso

cheio de pessoas que passam
que passarão
todas

e ainda faltando muito
pra humanidade evoluir
apesar daquelxs iluminadxs
que mostraram o caminho da paz

talvez nem alcancemos
o grau dos outros seres
animais, minerais e vegetais

a estupidez humana
na atualidade
é uma qualidade buscada

com toda intensidade & dinheiro

e o óbvio é
o colapso certo

terça-feira, 29 de agosto de 2017

(s)alto

os ápices se invertem
no instante seguinte
à percepção de sua efemeridade
como um salto no precipício
quando se está no alto

a roda gira e o mundo roda
as coisas se transformam
a todo momento

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

o sorvete descongelou
e congelou
novamente
e assim foi
uma era
de uma semana

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

a semana da cidade
após uma breve pausa
e as ruas estão cheias
com semáforos
gritando o
tempo das direções
o jornal de ontem
que não foi lido
uma lata que ficou
conservada até vencer
um vinho fechado

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

passeei pelos caminhos
perguntei a todxs o nome da cidade
onde estamos agora?
as pessoas vivem e se vão
destino certo na viagem
o que fica é memória
que em si mesma é incorpórea
peguei uma cadeira de plástico
já estava quase quebrada
vou aproveitando suas visitas
aprendendo com suas histórias

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

nosso tempo capturado
pelos ponteiros
divididos em partes
desiguais e simétricas
tão difícil é poder esperar
os acontecimentos, deixá-los
ao sabor dos ventos, no
ritmo de uma estória que
ensina em detrimento da
história e dos jornalistas.
vozes que chegam do passado
ao presente apressado com o
futuro. tão difícil é do silêncio chegar ao diálogo
sem objetivos, metas e
cálculos

terça-feira, 22 de agosto de 2017

o telefone toca
na casa vazia
permanece tocando
enquanto alguém crê
que alguém há

as palmeiras estão
de folhas abertas
louvando a luz
que o sol leva

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

o quase nada
me representa
o grão de areia
linha do horizonte

vale o escrito
o cantando e o encantado
assim o mundo gira veloz
entre passos e sapateados

e agora apago a contraluz
que suavemente ilumina
as páginas do tempo
nas quais pingo o pensamento

sábado, 19 de agosto de 2017

trajetórias

umas folhas rodopiam
outras planam
umas caem
outras pousam
da mesma árvore

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

já estamos indo, se
desapegando do corpo
ao mesmo tempo da paisagem
da família e amigos
vamos amando
rumo à luz maior
aprendendo o caminho do mestre
sendo discípulo da vida
semeando o amor

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

sem localização
o pensamento que
atravessa meu ser
de várias partes
está aqui agora
vindo de tantos lugares
fui e voltei e sigo
e assim vamos todos
cada qual
cumprindo um
destino

terça-feira, 1 de agosto de 2017

nascer
momento tomado
pelas mãos
morrer
quando delas nos soltamos

cada um vai por aí
tem uma história

o amor, a amizade
e o coletivo
que é cultivado
entre muitos que existem

escolhas que são feitas

quarta-feira, 26 de julho de 2017

documentos, roupas
coisas amontoadas
nas costas de um
caramujo que vai
sempre caminhando
rumo ao futuro

a pressa cansa
a paciência alcança

terça-feira, 25 de julho de 2017

as cidades onde vivi
surgem, mas já existiram
cada uma com suas
entradas e saídas
encantos, segredos,
mistérios e perigos
aqui o vento seco
levou minhas lágrimas
num acalanto frio
trazendo o outono
vento seco
trouxe uma chuva fina
tudo tão no início

segunda-feira, 24 de julho de 2017

todo tempo é tempo de
aprender, no ciclo que
é de ser e deixar de ser.
aprender o máximo e lembrar
do necessário, deixando o que
é apenas acúmulo. aprender
com a chuva que cai do céu,
se desprende e vai molhar
o chão.

domingo, 23 de julho de 2017

se fui areia,
poeira cósmica
jarro, parede, prato
serei mosaico
reconstruindo os cacos
na dança dos ciclos
o céu
vejo mudando
as cores
cantadas por pardais
do arrebol

uma parte imaginação
outra criei
e formam parte
do pouco que sei

sábado, 22 de julho de 2017

momento de transição
aos poucos a paisagem
vai desaparecendo
sobreposta
por um novo lugar
quando sonho parece igual
e o universo
segue uma dinâmica
de harmonia e caos
penso o tão alto e estamos
nas alturas
sobre um planeta que voa
e viaja no espaço
dia nublado
com céu todo estrelado

sexta-feira, 21 de julho de 2017

*

o vento balança as árvores
faz as portas baterem
produz som por onde
passa, seca as roupas
no varal, traz rastros
de outros lugares que
me fazem calar
leva e traz a poeira
que condensa este chão
por onde caminho até
não sei mais

quinta-feira, 20 de julho de 2017

num lapso
rampante de movimento
para expressar o que não sei
até o instante em
que abro a boca
e balbucio
ideias incertas
que fazem todo o sentido
apesar da falta de ordem
como uma proteção
para tua atenção
focada em detalhes
sou a variação do tema
uma mistura de alfazema
que paira no ar

quarta-feira, 19 de julho de 2017

semente

acocada
nasce pra luz
que existe
para além da claridade
do fogo
vamos alto
que o corpo passa

e o pensamento viaja
voa, voa
em expansão
pra chegar na fonte

terça-feira, 18 de julho de 2017

quando parece
perto do fim
e a noite vai amanhecer
as estrelas
olhos a arder

fechando as pálpebras

segunda-feira, 17 de julho de 2017

agora vendo
o dia que passou
percebo
a madrugada na minha nuca
iniciando seu caminho
até acabar
nas luzes de outro dia
e por aí vai

os pássaros cantando ao alvorecer
pousando naquele galho
mesmo sem ninguém ver

escondido nas páginas do tempo
tudo que se vive
não cabe na escrita
nem nas imagens

experiência intransferível
de existência

domingo, 16 de julho de 2017

invisível

os trajetos
imaginados
traçados sobre um plano
captado pelo som
jornada mental
território híbrido
o lugar do sujeito
humano ou não
a ser construído
entre e além
miríades de telas
equilibrando-se
dosando o visível e o

segunda-feira, 10 de abril de 2017

intervalo

depois da tempestade
contemplo o céu
azul e branco
chão molhado
que piso com cuidado
chego a estranhar a calmaria do momento
mas sei que é um simples intervalo

domingo, 9 de abril de 2017

a cobra surgiu de dentro das plantas
veio até mim e me levou
subimos na copa de uma árvore
me mostrou onde meus sonhos repousam quando estou desperto

sexta-feira, 31 de março de 2017

persistir
bom senso é resistência
em meio ao caos
ter paciência e consciência

com amor
não perca o foco

concentração
para preservar a mente

que a ilusão
já está se desfazendo

ir bem mais fundo
até alcançar a essência
engendrando
um novo modo de existência

com amor
não perca o foco

concentração
para preservar a mente

que a ilusão
já está se desfazendo

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

a mudança
parte do movimento
transforma o contexto
bordas adentro

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

entro na imagem
trinco o espelho
me despedaço
em cenas dispersas
tardes esparsas
o vento que balança a copa das árvores
quando busco o pássaro
que ouço mas não vejo
a natureza de muitos é a cidade
mil teias e válvulas de escape
vejo isto de longe e de fora
sou um grão de areia na praia

sábado, 17 de setembro de 2016

leve voar
deixar o pouso sem pena
sem saudades ou remorsos
nem medo
nada pra buscar
nem algo ainda no caminho incompleto
leve voar de passarinho
ao sabor do vento

domingo, 28 de agosto de 2016

as flores
no meio da floresta
nunca vistas
são o mistério desconhecido da humanidade
que se perfuma de lixo comprado por um alto preço
na troca do que nada vale

domingo, 21 de agosto de 2016

madrugada
toda noite tem um fim
de claridade
que é suave

o nascimento
trânsito entre dois mundos
é a morte da eternidade
semeada no infinito

sexta-feira, 17 de junho de 2016

o início e o fim das coisas
é indeterminado
imprevisto
e de fato
é um ato
assim

terça-feira, 14 de junho de 2016

*

gravando a ideia
de um instante
para recordar
o momento
num deleite do esquecimento
que lembra
relembra agora
se vai no tempo
e dá muitas voltas

sábado, 30 de abril de 2016

o tambor ecoou
no som que pensou
o silêncio

o pensamento vibrou

e o silêncio se calou
a linha do mar no horizonte
alivia
                mesmo que
não escute
as ondas do mar

mas ali, quase

quando vou pras montanhas,
cerrados e cordilheiras
os rios me levam ao mar

no caminho
uma parte chove
para que as flores
lembrem assim
chegar ao ponto de ir
chegar a ir
e chegar
e ir
até chegar a ir
ao ponto de chegar
ao ir
para onde se quer
chegar
para onde ir
chegar a ir

se quer chegar
no caminho
em silêncio
a palmeira passa
num imenso tempo
daqui dessa mirada
qual o motivo?
qual o motivo para a pressa e

para a calma?
as folhas das árvores
dedilham o ar
beliscam as nuvens
mostram por onde
passa a água
o vento me envolve
e permaneço imóvel
com os pensamentos

eletrizados
alguns acertos
são esquecidos
pra tbm serem errados

mito que refaz
um caminho
circular

em torno da história
luz diagonal
no banco quebrado
entre as folhas
leque nas árvores
a aranha salta
mas sempre se dirige
para o alto
pensei que havia pisado a minhoca
mas ela rasteja para longe
as pessoas fazem escolhas
mas também arriscam
e deixam o futuro

nas mãos do acaso
escorre no chão
a água da chuva
serpenteia
no caminho que faz

tiro a poeira da sala
enquanto ela se une com a

árvore
a vida é assim
fica a mensagem
ir onde puder ir
nessa imensa viagem

aqui, onde é aqui
de cada lugar
de cada pessoa

ao se questionar?
quando ñ
houver mais
humanidade
eu quero ser

um pássaro
mais uma vez chego
ao início das coisas
uma nova partida
no tabuleiro dos dias
sobrevivendo
em meio aos resultados
chegando
apesar das peças perdidas

mas chegando
a paisagem que reconheço não é
mais a mesma, apesar das árvores que
lá estavam muito antes de chegar
as pessoas se foram, após completar ou
abandonar os ciclos, permanecem os
gatos alimentados pelos funcionários, em
mais uma, a enésima geração desde o

primeiro que chegou. os mosquitos
a cidade lá
embaixo
não dá a medida
do que alcanço
e do que me
escapa


transições que pairam
as cidades
tantas ruas
estou na sombra da tarde
fixado fora da imagem

vendo a paisagem
sinto que não estou
aqui nem aí
sou energia em
transição
querendo movimento
rumo ao caminho
chega o sol

na paisagem
viagens
da cabeça
ou rodando
no planeta
que gira solto no espaço
bom estar
transformando

e transformado
tocar a música
que não sei
como foi gerada
entre meus passeios
com um instrumento
não lembro o que
toca no rádio
mas sei esquecer
o que faço

lembrar

imaginar
"como mirar ao redor
escutar ou saborear
sem o deslumbre das sensações

sentir
sem ser
quais dependências chamamos de gosto
quais carências trocamos por rostos
de plástico
na euforia a cidade nos devora
imigrantes passam a perna e
comércio formal rouba disfarçado

tudo é moeda
tudo é troca

justificamos para nós mesmos
como experiência
mas sem ver lembramos
de poucos dias atrás
que dirá dos muitos anos

se aprendemos algo
não guardamos em fotos ou escritos
mas insistimos em lembrar

26/12/15 rodoviária de coimbra"

lembrar
movimento de refazer linhas
traçando movimentos
que às vezes retorna
como proporções de espaços
naqueles tempos
que visito agora
no que passa
reminiscências do que passou
caminho de paz
pax hado
num idioma desconhecido
em trocas de significados
busca por decifrar


16-01-16 rodoviária de barcelona

a memória

pensar no tempo
expandido
pela cidade

idiomas dos espaços
despertar
e alegrar
na alvorada

escrevo a ti, que vem

a partir de agora
luzes nas cidades pegadas de mais
uma claridade reflexo de voo de
pássaros motor de ônibus seus passos
folha cai ferros tinindo correia de
bicicleta embreagem pequeno filme
preto e branco intencional o cachorro
corre atrás de pombas que voam sem

saber o motivo, num puro instinto
a música urge
é o grito que resiste
dor apaziguada
alegria propagada no ar
vou de bolsos vazios
por milenárias cidades
e o que importa é sentir a vida
não ser engolido pela máquina
filas de turistas
trajetos determinados
comércios desenfreados

engolindo as pessoas
idem
um dia não é igual ao outro
como as folhas de um caderno
e ainda mais num diário
idem
a vida e as oportunidades
a juventude e todas idades
idem o frio e o calor que faz
em qualquer cidade
ou fora delas
                                     idem
uma única vez
a última vez
a vida e a morte
mesmo quando se morre demais
idem
nunca se volta atrás
para encontrar o que ficou

é preciso seguir adiante

segunda-feira, 28 de março de 2016

vento

nuvens que voam no céu
refletem na água do mar
desenhos que faço na areia
vem o vento e refaz

enquanto o sol vem e o sol vai
e a vida se liquefaz
no som secreto do tempo
ouço um pássaro em algum lugar

seu canto me avisa que a vida é leve
e escapa no ar
seu canto me avisa que a vida é breve
e não volta jamais

os desenhos que estão na areia
vem o vento e refaz


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

nesse momento pensando isso
de aqui estar
em meio ao mundo que gira e voa no espaço

mar, pôr do sol e luar


domingo, 6 de dezembro de 2015

na verdade, vou passando o tempo
pegando sol como um lagarto
dou uma volta e volto ao sol
que fez tudo viver
essas palavras foram feitas
pelo sol
(no espaço vazio que não há
folhas caem e por perto
cantam os passarinhos
durante sua jornada)

sábado, 5 de dezembro de 2015

aqui, como o sol que se move lá
às vezes parecendo longe daqui
numa regularidade captada
e já não tão surpreendente
há um infinito a conhecer
conhecido em partes
entrelaçadas.
fui tantas pessoas
e cada uma delas foi
disfarce de inúmeros personagens
encarnados e desencarnados
desconhecidos de mim
a velocidade não me alcança
e se perde no caminho.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

longe de tudo
minha alma se descorporifica
mantendo os sinais vitais
existo nesse momento
nas folhas amarelas do outono
fadadas a voar e desaparecer
com o vento e a chuva fina
são páginas viradas de outra estação

dentro, somente dentro
segue a luz que acalenta
e guia no caminho

meu peito apertado
com saudade do seu abraço

domingo, 23 de agosto de 2015

alquimia da vida
transformar
o amanhã
em hoje

quinta-feira, 20 de agosto de 2015


andorinha
voa
ando
passando
os pensamentos
filtrados pelo silêncio
num gesto no ar
fica a verdade
o que é fora dela se vai
gratidão é amanhecimento
da consciência
flores que voam
no bico de um passarinho
sem nome, nem espécie
passarinho pequeno
reflete a luz

quinta-feira, 9 de julho de 2015


o sol toca o horizonte
parece sumir
no exato instante em que surge
noutro lugar
ou a terra que varia
e o sol aglutina sua pequena constelação


existir e deixar de ser
ambos simultâneos


nascemos pra uma nova vida
quando morremos para a antiga

meus pensamentos
em cascata se materializam na escrita
no papel, que voa e rasga
e se dissolve
nas ideias digitadas
num campo liso, já destituído de teclas
campo de pensamento
de real abstração
desmaterializada

sexta-feira, 27 de março de 2015

na sala
a única janela
é a tela
às vezes nublada pela conexão
é como uma roupa apertada
um caixão que apertaosdedosdospés

terça-feira, 3 de março de 2015


cada gota de chuva
foi mar, foi rio
cachoeira
infinitas vezes
correnteza da madrugada
que deve molhar
há de secar
para seguir sendo
água
que cai

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

aceitando com carinho as topadas do caminho

nesse caminho o ensino é:
mais compreender que ser compreendido
na luz que luzia no horizonte do sono
até o momento que,
desperto,
permaneço de olhos fechados.

sabendo dos erros que cometo
e dos que as pessoas cometem com pouca fé
quando deixam o presente trancado
e esperam que o futuro melhore
se nem mesmo buscam a mudança
dentro de si mesmos

tenho um pouco de alívio
pois hoje sinto que o que posso é pouco
e o pouco que posso é o que faço
é o que busco em minhas alquimias
mesmo sabendo que com isso
pouco o mundo será mudado
e as mudanças serão breves
só durando o tempo de duração do esforço.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

o novo se renova

ciclos formam camadas
lençóis que se transformam em montanhas
histórias que são passadas por séculos
que se esquecem e depois de outros tantos séculos são lembradas

e

nesse caminhar de sonhos que se esquecem ao acordar
vivem milhares de seres
que voltam a ser poeira
e em forma de poeira viajam
e se depositam sobre a grama
ou vão para o fundo do mar

etc etc etc

bom é alternar o esquecer e o lembrar
e viver nesse entremeio entre o sonho e o acordar

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

simplesmente

se não acredita
então
não há motivos para
regar a planta
alimentar os elementais com pensamentos
e conversar com as folhas ao vento

as pessoas colhem esperanças
nos dias que atravessam a vida
quando não podem
vivem uma vida opaca e morta

viver
se e somente se é possível acreditar e sonhar

as coisas acontecem
no tempo entrelaçado dos fios das narrativas
que trazem um pouco dos brilhos dos olhos
de todos os que viveram seus dias épicos

vão tecendo ciclos
que estão ligados com todos que já foram
e os que ainda virão

e silenciosamente o sol se põe
quando amanhece em outro lugar

o livro se completa, a estória chega ao seu termo
e o sol quando vem não se esconde
no fino frio que é o último suspiro da noite

e assim
o sol é traduzido pelos pássaros
que são o sal do vento

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A máquina lava roupas
Que não serão usadas
Fim de tarde
Os pássaros e palmeiras louvando
Sob a luz do sol em seus derradeiros brilhos que viajam
E a vida segue
Caminhando sobre a terra que é um vestígio de todos que foram
Num banho de mar
Corpo que ainda não se dissolve de todo
E louva ao sol mais um dia



sábado, 30 de agosto de 2014

Seu Wilson

Grande figura seu Wilson! Quarta-feira ele me olhou com uma mala e mochilão descendo pro Rio e perguntou: "tá chegando?" e eu ri (por causa das viagens que estão rolando esse ano) e disse que estava indo. Aí no caminho fui relembrando esse lance de que as viagens são sempre só de ida, não há volta, ainda mais viajando pra São Luís, onde morei a maior parte da minha vida, e as pessoas tendem a perguntar se eu estou “voltando”, mas a vida é só de ida.

No caminho, fui vendo a encantadora vida em Paquetá, com cantos de pássaros e o esplendor da natureza, com sentimento de gratidão pela oportunidade e ensinos e seguindo adiante. Pedalando pela ilha nas ruas desertas vem um clima de cidade perdida nas brumas, algo mágico que se dissipa com um movimento brusco. Dá pra ouvir as ondas do mar da janela do (ainda) quarto, que é um som ancestral desse lugar.

Nos últimos meses todos os dias pela manhã tem aparecido um senhor com seu cachorro na beira da Praia dos Coqueiros andando lentamente de bengala. Ele senta num banco de pedra sob a sombra de uma árvore na esquina que parece um bonsai gigante e toca flauta usando somente uma mão, sempre a mesma música naif a la Syd Barrett usando 3 notas, como um mantra. Ás vezes acompanha tocando pandeiro com a outra mão e também toca gaita e pode chegar a tocar mais de 2 horas, com algumas pausas.

No fim de tarde o vizinho ao lado esquerdo toca piano por mais de uma hora, começando pontualmente às 16h30. Nunca ouço escalas e exercícios, mas sempre é música pra valer, as quais são executadas maravilhosamente e mais de uma vez, com pequenas variações no andamento. Rola altos blues e também uns clássicos. Ontem quando soube da notícia que seu Wilson seguiu a viagem tava rolando uma música bem dramática. Penso que ele toca com a janela aberta de frente para o mar, de onde pode olhar o mar e o pôr do sol.

Esses últimos 10 dias estive aqui em Paquetá nostalgicamente arrumando as coisas e vivenciando o quarto já sem memória visível, com cabides vazios e algumas sacolas desterritorializadas. Os pássaros continuam cantando e os cachorros latem em diversos pontos da ilha e às vezes uivam juntos. O flautista já começou com o som. Seu Wilson disse uma vez que quando morresse queria uma festa e rolou um tambor de crioula no centro do Rio, chamando para pungar no Maranhão e nas voltas que o mundo dá.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

mestre
que sendo tal
nos ensina
à distância
relembrando
o ensino
onde quer que esteja