terça-feira, 30 de junho de 2009

eu no quintal

as mesmas árvores
a cada estação
conversas que passam
como o vento, no vento
no silêncio de estar junto
na volta, me atenho ao caminho
enquanto suas vozes vão ficando distantes
igual a tudo sobre nossas palavras
o balanço dos galhos
melhor não esperar
as folhas caírem
e o que está a melhorar nos sentidos todos
sei que há um momento já plantado, a chegar
escuto o marulhar, sinto a pressão no ar
como numa fotografia antiga
meus passos perdem as cores
na mesma passada se fui pra bem longe
agora desse horizonte calmo, desse canto claro
as sobras de sombras que a luz dissipou
tanto faz

a lua

deu um
passo
antes de
voltar
ao eterno ir
fora de
todo tempo

quinta-feira, 25 de junho de 2009

acordei de madrugada

não era nada
só mais uma vez
parecia que você
estava aqui
mas não era nada
talvez a esperança
ou paranóia
a porta aberta
luzes das ruas
na minha janela

terça-feira, 23 de junho de 2009

*

a natureza nada se cria
já diria jagube e chacrona
ou chácrinha

segunda-feira, 22 de junho de 2009

*

com o inverno
vem o sol
o calor
esfria a alma

quarta-feira, 17 de junho de 2009

nas voltas do mundo

nos planetas no entorno
desse sistema solar periférico
na curva de 2012
o que sobrar é o que nos resta

segunda-feira, 15 de junho de 2009

*

já passei por aqui
é o que penso
de um extremo ao outro

olho pro telhado
quarto sem forro
alma sem lágrimas de dor

vida sem passado
presente sem foco
tudo isso não faço questão

já se foi

quarta-feira, 10 de junho de 2009

noves fora zero

já estive no paraíso
e também em maus lençóis
hoje aqui eu sobrevivo
noves fora zero

passei por várias residências
hoje moro com o silêncio
fui insano e absoluto
noves fora zero

nada um mar onde eu nado
sem ver longe um horizonte
é a sina de um míope
noves fora zero

sexta-feira, 5 de junho de 2009

cheiro de vinho e chuva

aqueles dias
escureceram
amanheceram

pelas estações afora

sem dizer o motivo
as horas

as cinzas foram ao vento
como uma canção

num certo brilho
opaco

os dias marcham
escurecem
amanhecem

continuam, além das vontades
amanhecem
escurecem

apagam

quinta-feira, 4 de junho de 2009

9 meses

da vez que
encarnei
feminino
perdi meu bebê
recém-nascido
e só lembro
da sensação
de voltar sem
ele pra casa
no colo