domingo, 30 de março de 2014

naquele dia eu te vi de longe

e havia um sentimento irônico,
de quem vê a vida como uma viagem sem destino,
que pode ser breve ou longa.

sábado, 1 de março de 2014

Deus me dê o entendimento,
um pouco de sabedoria
e toda humildade que puder carregar no coração

"a desculpa não é o perdão, mas a porta"

que a fé guie meus passos
nesse mundo e nos outros
mesmo quando voar
dê firmeza para que possa sustentar a realidade
em toda suas intensidades

agora

nesse ponto que risco
um caderno que um dia que se acaba

estou vivo
existindo por aí

um porto
e uma barca que sai

tudo já é
aqui e agora
é o que não para de chegar

sensações

tão breves
quase parecem um reflexo da eternidade

o que fica
é o que permanece partindo
sem resistência
não se cultiva força

diferenciando

dobrar-se ao futuro
confiar e seguir
ter o passado nas mãos
escorrendo e deixando de ser
no salto quântico, no acaso
sou irreconhecível
fui e não terei sido
percebido e transbordado

as nuvens mascarando
o planeta bordado no céu
e desvelando-o
com uma pintura
feita de água e raios de sol
brilhando na superfície
da pele que se desprende
escorrendo pelos dias

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

o sentido disso tudo I

na pele o vivido
que as palavras toquem os ouvidos
incorpóreas
como ações
uma fruta que cai
estala no telhado
o sentido?
motivo, motriz, movido
apenas uma lambida nos seus olhos
e sonhar acordado
tudo que me for possível

a música que diz
silêncio,
apenas pense em mim.
como se tivesse sido
a lembrança que desfiz
no tempo que penso e resta
mundo de outrora
quem fui no passar das horas
dias, meses, anos
quando olho a aurora
se sobrepondo ao tempo dos sonhos
eixo sobre o qual gira a roda do destino
nesse tempo de agora
que se esgota aos poucos
ou num piscar de olhos
faz lembrar que o tempo pra pensar não sobra
quando se transforma a tarde
apogeu que vai embora
deixando rastros nas cidades
e girando as trancas das portas

sábado, 4 de janeiro de 2014

na trilha

ontem fui dormir
pensei algo que esqueci
deixando ao acaso
pra talvez relembrar

até o momento esqueci
mesmo assim sem lembrar
a materialidade da memória
pode num instante deixar de existir

há vozes que não mais iremos escutar

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

fui quem costumei ser
um caminho que termina
no próprio movimento
abismo é o instante que passa

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

no primeiro dia do verão

vi uma passarinha e seu filhote
que já aprendera a voar, mas ainda é pequeno
e nem tem penacho na cauda

ela entrou na tigela de ração dos gatos
enquanto sua cria ficou do lado de fora
batendo as asinhas e chamando

de quando em vez ela lhe dava um grãozinho de ração

e algum tempo depois eles voltaram

dessa vez ele pousou dentro da tigeja
e curiosamente continuou pedindo
e só comia quando a mãe colocava em seu bico

achei engraçado como ele ainda não percebia a comida sob seus pés

de vez em quando ela ainda pegava um grão e dava ao filhote
mas seguia comendo, pois o importante é que já mostrara o caminho até a tigela

um grão a menos a cada dia que passa, até a ele conseguir se cuidar

a paciência da natureza não tem pressa e nem saudades

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

em paquetá parou de chover, os pássaros cantam, um vizinho toca piano em casa, outro canta um pagode.

ouço um senhor que faz caminhadas constantes tocando duas notas numa flauta doce com uma só mão, enquanto a outra segura a bengala.


decido escrever quando escuto a seguinte conversa, gritada pelo telefone: se você não esquecer não esquece, tá? tchau!