quinta-feira, 12 de junho de 2014

efêmera

a onda que toca a areia
de um mar tão eterno
ao sabor do vento
ritmo de universo

toco o tempo
e vou me dissolvendo nele

é a luz no pensamento
em vão nada no mundo é
pelos tantos que vieram
para se chegar ao que é

voa a folha
cai uma única e última vez

efêmera e eterna

domingo, 8 de junho de 2014

pachamama

entre tantos que vieram e já foram
estou solto em sua pele
alguns pensam que vivem em cidades
as folhas voam com o vento
e caem uma única e última vez

me apresentei à vida
também me despedindo
ou é somente
esse céu
de fim de tarde
no qual reencarno
inúmeras experiências
de muitos espaços
no decorrer desses
dias
no friso do vento que
ganha a janela
recomeçando afora e
secando as asas

quinta-feira, 22 de maio de 2014

e a escrita teve tal supremacia que todos os gestos se tornaram uma massa disforme, incapaz de gerar sentidos. e as letras nas palavras não poderiam a partir daquele instante ser pequenos insetos que passeiam pelas folhas. foi quando deixei de tentar entender o mundo, quando as tomadas deixaram de ser rostos, quando a torneira deixou de ser um pássaro com pescoço prateado, quando o tapete não mais era uma pequena floresta e a mesa não poderia mais ser um quadrúpede com olhos de gaveta...

quarta-feira, 21 de maio de 2014

chove e o tempo passa
lento
todo
inteiro

nem sei, mas
penso que penso
refazer a rotina
desmontar o cotidiano
lego com diversas peças
ser amigo por onde for
manter o brilho
que ilumina a senda
força dos olhos e sorriso
e também discrição
pois aprender é atenção
evitando o risco da ilusão
muitas vidas que tive
e observo o agora que passa
como pinturas rupestres
ritos apagados pelas intempéries
resistindo apenas em fragmentos silenciosos

a pele cicatrizou
muitas vezes
curtida ao sol
e enluarada nas madrugadas desse mundo
que também já foi muito e se transformou

sexta-feira, 9 de maio de 2014

posso dizer

sem traduzir
em um olhar míope e meio surdo
é o que é

marte no céu e vento frio na madrugada


no lugar onde está
no devido, sem dúvida
quiçá

cada som que vai no ar
todos a vibrar
até a voz calar

no devido lugar

cada qual a vibrar
som e silêncio
que prevalece no ar

segunda-feira, 7 de abril de 2014

do alto mar só a brisa
alto mar
o pensamento

domingo, 30 de março de 2014

naquele dia eu te vi de longe

e havia um sentimento irônico,
de quem vê a vida como uma viagem sem destino,
que pode ser breve ou longa.

sábado, 1 de março de 2014

Deus me dê o entendimento,
um pouco de sabedoria
e toda humildade que puder carregar no coração

"a desculpa não é o perdão, mas a porta"

que a fé guie meus passos
nesse mundo e nos outros
mesmo quando voar
dê firmeza para que possa sustentar a realidade
em toda suas intensidades

agora

nesse ponto que risco
um caderno que um dia que se acaba

estou vivo
existindo por aí

um porto
e uma barca que sai

tudo já é
aqui e agora
é o que não para de chegar