sexta-feira, 8 de outubro de 2010

o colibri toma conta do jardim

hoje amanheci
dei bom dia ao dia
fiz as coisas em silêncio
e andei pelas ruas, paguei contas
fiz um almoço, parte de outro almoço
e que ainda continuou numa janta
vi um colibri vir tomar água na janela
quando tocava calix bento
e eu passava apressado
para um próximo momento
bem no ponto onde termina uma jornada
inicia outra
e assim sucessivamente
o colibri vai de flor em flor
sabendo disso instintivamente
e sua atitude gera a primavera florida
sem que ninguém perceba

sábado, 2 de outubro de 2010

sol e água

duas coisas que podem desenvolver ou acabar com uma planta
de acordo com a quantidade

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

a estrela de salomão

cada um deve
buscar
conhecer
(triângulo piramidal - heliocêntrico do meio dia)





e com outros aprender
(triângulo com a base invertida - assimilação - reflexo da lua cheia)


ensinar quando souber
(estrela de seis pontas - transformação)

onde

no tempo o mapa
no espaço a garrafa
no mar o entremeio e a carta

no meio, entre o tesouro e o mapa
no baú enterrado sem a chave
no croqui desenhado, na memória

terça-feira, 21 de setembro de 2010

reflexos nas manhãs

queria a certeza
como se fosse
ao acaso que viesse
sem rodeios
no som
da tua voz
pra sair daqui
desse quem sou
apaziguar

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

vendo daqui

não poderia imaginar
que iria sair daquelas árvores
das trilhas que andei
e estar aqui, vendo tudo
da perspectiva da memória
nessa estrada longa
enquanto a baba do cachorro tá ali
nos cheiros de terra, moscas no ar
que não vejo mais
girando nos dias, nas primaveras
que chegam
como secam e passam
em eras, lágrimas e colheitas
feitas na garoa das manhãs
glórias e histórias
pra esquecer, pra lembrar e contar
enfrentar a cidade grande
deixar no porto as lembranças
agora seguindo o balanço do ir
para as batalhas
não concebo minha vida
sem as cicatrizes, sem as curas
que fizeram-me
tornaram-me um enredo
diluído nas palavras e causos
perdidos nos silêncios das mesas
dos coretos e das estrelas

*

vida é pele
a gente fica querendo
ir mais pra dentro,
ou além disso
mas estamos na crosta
é onde pensamos

o mistério do planeta

domingo, 12 de setembro de 2010

pombos subterrâneos, frio e o derredor

fim de tarde
o dia vai passando pro outro lado
silêncio, vazio de sala
tudo vai assim
na correria, na calmaria
em novas manhãs
fim de inverno
mudam as estações
e os cantos dos pássaros
migrando
grãos que o tempo lançou
em algum lugar
grãos no chão
esquecimentos semeados
brotam e lembram
da natureza a narração
sem palavras ou reflexos de água
escrita com terra e chuva
escorrendo
escrita com frio e acalento
pergaminhando o novelo
em torno do sol
no eixo de um galho
tão sem nexo

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Cometa Swift-Tuttle


olhei pro céu
meteoros vindo
pousaram na minha mão












O cometa Swift-Tuttle é um cometa que é responsável pela chuva de meteoros Perseida. Cada julho e agosto a Terra cruza esta trajetória do cometa causando uma chuva de meteoros.

O cometa Swift-Tuttle é o maior de todos os objetos celestes que faz repetidas passagens próximas à Terra.

Este cometa está em órbita em torno do Sol com um período de aproximadamente 130 anos.

O cometa Swift-Tuttle foi descoberto em 16 de julho de 1862 por Lewis Swift, de Marathon, Nova Iorque, e independentemente descoberto alguns dias mais tarde, 19 de julho de 1862, por Horace Parnell Tuttle, da Harvard University, e vários outros astronomos.

O cometa Swift-Tuttle é o mesmo que o cometa Kegler, o qual foi primeiro visto em 1737.

O cometa Swift-Tuttle foi visto pela última vez em 1992 e sua próxima visita será em 2126.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

***

som em fade out
movimento de dança
trans
na ginga o reggae roots
e nunchaku
louvado seja
o movimento
cíclico
voa e aterrisa
libélula
precisa tocando a superfície da água
formando vibrações que modulam o reflexo do céu

domingo, 8 de agosto de 2010

village

uma árvore na calçada
passando entre a multidão
as pistas duplas
idas e voltas
você na janela, nas paredes
ecoa risos e tempestades
poderia ter sido assim
sem histórias
mas dentro da árvore
são esculpidas sementes
sempre foram um viés
que anoitece e quando clareia
vai rodando sem parecer
a árvore rodando, sobre um pião
o tempo, a matéria e a extensão
do infinito
na rocha um dia virando grão

sábado, 31 de julho de 2010

pra jane

nascendo o dia sol
abre os olhos
faz que volta a dormir e gira
o horizonte busca seu melhor ângulo de luz
fotografando a melodia
água de banho, de renovação e limpeza
pensamos em chuveiros nas caravanas
e todo o sistema das cavernas que habitamos

quinta-feira, 22 de julho de 2010

glória

guardamos lembranças
mais que as caixas
a pintura está na parede
para alegrar quem por ali passar
os pássaros às seis da manhã
naturalmente no tempo dos dias que correm
procurando alimento, cantando
no meio de muitos
emitir o som da vida é ser e estar
continuando o caminho
há infinitas belezas
e as pegadas são tantas

os sonhos cardeais
que surgiram e molharam o chão
de cada dia
consagramos o aposento
isto fica como uma benção
para os que virão